THE SCENE
Há um momento, cerca de uma hora a sul de Lisboa, em que o país respira fundo. A autoestrada afina, a luz ganha a cor do trigo seco e o horizonte abre-se naquele vazio vasto e hipnótico a que os portugueses chamam a planície. Isto é o Alentejo, um terço de Portugal e quase nada do seu ruído: sobreiros solitários em campos dourados, aldeias caiadas de branco com portas debruadas a azul, vilas de mármore, arrozais que descem até uma costa atlântica agreste. É a anti-Riviera, e é exatamente esse o ponto.
Sempre pensámos no Alentejo como o lar espiritual do slow luxury, a paisagem que inspirou a Countryside Edition da nossa coleção e o segundo capítulo de A Paradise Called Portugal. Aqui, o luxo não é dourado mas contenção: um quarto monástico com paredes de um metro de espessura, pão ainda quente do forno a lenha, uma piscina que contém o céu inteiro. Estes são os oito lugares aos quais voltaríamos, uma e outra vez.
São Lourenço do Barrocal, Monsaraz
A referência. Um monte de família com 200 anos junto à vila medieval de Monsaraz, no alto da colina, devolvido à vida ao longo de duas décadas pela oitava geração da mesma família, com o Pritzker Eduardo Souto de Moura como arquiteto. A recuperação é tão discreta que mal reparas nela, e aí está o seu génio: longos edifícios agrícolas caiados de branco, pavimentos de terracota, vinha própria e oliveiras centenárias, megálitos mais antigos do que as pirâmides espalhados pela herdade. O pormenor com que ainda sonhamos é o pequeno-almoço na antiga vacaria e a piscina ao anoitecer, quando a planície fica violeta e as andorinhas saem.
Dá Licença, Estremoz
Dois parisienses vindos dos mundos da Hermès e da arte, Franck Laigneau e Vítor Borges, pegaram numa encosta de olivais à saída de Estremoz e criaram o retiro mais discretamente extraordinário do Alentejo. As suites são amplas e têm a calma de um museu, revestidas a mármore extraído localmente; as banheiras são talhadas em blocos únicos e a coleção de mobiliário Jugendstil não faria má figura numa galeria. Três piscinas estão rasgadas na colina, entre 120 hectares de oliveiras. O pormenor que recordaríamos: a piscina de mármore branco, a brilhar como uma escultura iluminada contra o olival à hora dourada.

Dá Licença
Vermelho, Melides
O primeiro hotel de Christian Louboutin, e só poderia ter acontecido em Melides, a aldeia de artistas que ele adora há anos. O nome é Vermelho, e o olhar do sapateiro está em todo o lado: uma fachada entre o barroco e a aldeia assinada pela arquiteta Madalena Caiado, azulejos pintados à mão, tetos bordados, um bar de tesouros indianos e portugueses, apenas 13 quartos, para que pareça sempre a casa, é certo que fabulosa, de um amigo. O jantar no Xtian é o Alentejano rústico feito com apuro de alta-costura. O pormenor que recordaríamos é a pequena piscina de azulejo verde no jardim, como uma joia, feita para um mergulho a meio da manhã antes das ostras.

Vermelho Melides
Quinta da Comporta, Carvalhal
O arquiteto Miguel Câncio Martins construiu este resort de bem-estar à imagem da própria Comporta: madeira gasta, colmo e cal, celeiros de arroz reinventados como villas à beira dos arrozais. Tudo se vira para o brilho verde e depois dourado dos campos de arroz, de forma mais espetacular a piscina infinita, que parece verter-se diretamente para dentro deles. O spa Oryza trabalha com rituais à base de arroz, as bicicletas esperam à porta e a praia do Pego fica a minutos. O pormenor que recordaríamos: aquele primeiro café matinal no deck, cegonhas por cima, os arrozais a fumegar suavemente na luz da madrugada.
Herdade da Malhadinha Nova, Albernoa
Nas profundezas do Baixo Alentejo, a família Soares gere esta quinta vinícola Relais & Châteaux ao longo de cerca de 450 hectares de vinhas, olivais e montado de sobro, com quartos espalhados entre a casa senhorial original e um punhado de casas de campo impossivelmente chiques. Os dias organizam-se em torno do prazer: passeios a cavalo ao amanhecer, provas na adega da família, um menu de degustação construído quase inteiramente a partir da própria quinta. É o Alentejo no que tem de mais generoso. O pormenor que recordaríamos é sair a cavalo por entre as vinhas antes do pequeno-almoço, para depois nadar enquanto o calor se acumula sobre a planície.
Torre de Palma Wine Hotel, Monforte
Uma propriedade agrícola fortificada com raízes em 1338, coroada pela torre que lhe dá o nome e reerguida pelo arquiteto João Mendes Ribeiro como membro dos Design Hotels. O ambiente é de austeridade elegante: volumes brancos, madeira escura, artesanato alentejano usado com mão muito segura, vinhas e uma adega em laboração à porta. Sobe à torre ao pôr do sol e a planície desenrola-se em todas as direções, sem interrupção. O pormenor que recordaríamos: fazer o teu próprio lote de vinho na adega, e depois jantar sob as estrelas no pátio onde os cavalos pastam para lá do muro.
Pa.te.os, Melides
A nossa primeira escolha de quem é de dentro, e a opção dos puristas. Numa colina de sobreiros e ervas bravas acima de Melides, Manuel Aires Mateus, o grande poeta português do betão, desenhou quatro casas monolíticas dispostas em torno de pátios abertos, cada uma com a sua piscina e um horizonte de mar. Não há lobby, não há restaurante, não há horários; as provisões chegam, o silêncio faz o resto. É a arquitetura como forma de meditação, radical e profundamente serena ao mesmo tempo. O pormenor que recordaríamos é boiar na tua piscina privada ao anoitecer, com o betão ainda quente e o Atlântico como uma linha prateada ao longe.

Pa.te.os
Craveiral Farmhouse, São Teotónio
A nossa segunda escolha de quem é de dentro fica no interior, a partir das praias agrestes da Costa Vicentina. O Craveiral é uma quinta moderna de módulos caiados de branco entre pomares e hortas, construída em torno de uma verdadeira filosofia farm-to-table: o restaurante cozinha sobre o fogo com aquilo que a terra dá nessa manhã. É descalço, caloroso e discretamente estiloso em vez de precioso. O pormenor que recordaríamos: colher ervas aromáticas com os jardineiros antes do jantar, depois a piscina de água salgada, e os dez minutos de carro até às falésias onde o Atlântico rebenta lá em baixo.
O que levar na mala para o Alentejo
O Alentejo quase nada pede, e é por isso que aquilo que levas importa. Pensa em linho lavado em tons de trigo e branco, alpercatas para as aldeias de calçada, um chapéu de palha que dê sombra a sério. Um fato de banho, sempre, porque cada um destes hotéis se organiza em torno da água; um segundo, porque o primeiro ainda estará a secar ao meio-dia. E ouro, usado com simplicidade, tal como pensámos a Countryside Edition para ser usada: metal quente contra pedra quente, uma corrente fina com uma camisa de linho, brincos que apanham a última luz a uma mesa ao ar livre. Aqui nada precisa de gritar. Tu também não.
FAQ
Qual é a melhor época para visitar o Alentejo?
Quantas noites são precisas?
É preciso carro?
Costa ou interior?
"IN THE ALENTEJO, LUXURY IS NOT GILT BUT RESTRAINT: A ROOM WITH METRE-THICK WALLS, BREAD FROM A WOOD OVEN, A POOL THAT HOLDS THE WHOLE SKY."
— The SG Edit
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