THE SCENE
Há cidades que se compreendem ao nível da rua e há cidades que só verdadeiramente se revelam vistas de cima. Lisboa pertence, sem margem para dúvidas, ao segundo tipo. Construída sobre sete colinas e banhada por uma luz que pintores e diretores de fotografia nunca conseguiram reproduzir por completo, é uma capital feita para a hora longa e vagarosa que antecede o pôr do sol, quando os telhados cor de terracota se transformam em brasas e o Tejo se torna uma folha de ouro batido. Já perdemos a conta às noites que passámos à procura dessa luz e chegámos a uma conclusão simples: o rooftop é a verdadeira sala de estar de Lisboa. Aqui fica a nossa seleção dos terraços por que vale a pena subir, dos clássicos adorados aos endereços que costumamos guardar só para nós. É um capítulo da nossa carta de amor a este país, A Paradise Called Portugal.
Park, Bairro Alto
O que deu início à conversa. Entras por um parque de estacionamento sem glamour na Calçada do Combro, apanhas o elevador até ao topo e sais para um jardim suspenso no céu, todo verdura e mesas baixas de madeira, com a cúpula da igreja de Santa Catarina em primeiro plano e a Ponte 25 de Abril a brilhar em vermelho ao longe. A Time Out continua a apontá-lo como o rooftop mais famoso da cidade e a multidão do pôr do sol confirma-o. Vem a um dia de semana por volta das seis, pede algo cítrico e reserva o corrimão virado a oeste. Nos meses mais frios o terraço é aquecido, o que faz dele um prazer raro para todo o ano.
SUBA at Verride Palácio de Santa Catarina, Santa Catarina
A nossa escolha de quiet luxury. O rooftop deste palácio setecentista restaurado oferece uma vista de 360 graus sobre a cidade velha e o rio e, sobretudo, está aberto a quem não fica hospedado. O ambiente é sereno, longe do alarido: ostras, uma carta de vinhos séria, tábuas de queijo à hora dourada. Se o Park é a garden party de Lisboa, este é o seu salão privado, a cinco minutos e a um mundo de distância. Reserva com antecedência as mesas da primeira fila e fica até que os candeeiros de Alfama comecem a acender-se do outro lado do vale.
BAHR & Terrace, Bairro Alto Hotel, Chiado
Empoleirado no quinto andar, sobre a Praça Luís de Camões, o terraço do Bairro Alto Hotel oferece-te o Tejo com as duas margens num único enquadramento, sem nada a obstruir. A cozinha leva o cenário a sério, de uma delicada entrada de choco a leitão com cuscuz, e o brunch de domingo, com o seu waffle de queijo São Jorge, tornou-se uma pequena instituição entre os lisboetas. É o rooftop para um almoço como deve ser, que se dissolve, copo a copo, pela tarde dentro.
Rossio Gastrobar, Baixa
No sétimo andar do Altis Avenida Hotel, o Rossio Gastrobar debruça-se diretamente sobre o teatro que é a praça do Rossio, sobe até ao castelo e atravessa até ao Elevador de Santa Justa, uma vista que a Time Out considera um dos postais da cidade. Os cocktails são inventivos, com destaque para o Olympia, um flirt entre uma margarita e um pornstar martini, e a cozinha assenta em produtos portugueses da época, ostras locais incluídas. Chega mesmo antes do anoitecer, quando as fachadas de calcário da Baixa ganham a cor de um rosé pálido.
Rossio Gastrobar, Altis Avenida
Lumi, The Lumiares, Bairro Alto
No topo do hotel The Lumiares, o Lumi é o rooftop para a mulher que quer jantar com vista. A sala e o terraço erguem-se acima dos telhados do Bairro Alto, com o castelo no horizonte, e o menu constrói-se em torno de ingredientes portugueses da época tratados com um toque leve e contemporâneo. O brunch de fim de semana, servido a partir das 11h30, é uma das formas mais civilizadas que conhecemos de começar um sábado em Lisboa. Discretamente requintado, nunca ostentoso.
Topo, Martim Moniz
O Topo ensinou a Lisboa que a beleza se esconde em lugares improváveis. No sexto andar do centro comercial da Martim Moniz, o seu terraço vira-se para as encostas azulejadas da Mouraria e da Graça, com o castelo de São Jorge a presidir lá no alto, uma vista que parece quase improvavelmente íntima para o meio da cidade. O público é jovem e criativo, os cocktails são audazes e os pratos são feitos para partilhar. Vem ao anoitecer, quando as muralhas do castelo apanham os últimos raios de sol.
Hotel Mundial Rooftop, Martim Moniz
A poucos passos, o bar do nono andar do Hotel Mundial detém talvez a vista de castelo mais fotografada de Lisboa. A fórmula é simples e certeira: petiscos, cocktails bem feitos e as Golden Hour Sessions, com DJs a tocar enquanto o céu se desdobra em espetáculo. É mais animado do que o Topo, mais cinematográfico do que intimista, e numa sexta-feira quente vibra com aquela energia tão lisboeta, meio local, meio viajante lindamente perdido.

Hotel Mundial
Javá, Cais do Sodré
A nova geração e a candidata da Time Out a rooftop do verão. Por cima da Praça Dom Luís I, perto do Time Out Market, o Javá conjuga um terraço tropical, cheio de plantas, com cozinha mediterrânica e cocktails de fruta. Fica mais baixo do que os terraços do alto, o que traz o rio surpreendentemente perto; os cacilheiros deslizam quase ao nível do olhar. É aqui que vimos quando a noite pede algo descontraído, uma noite de kaftan e sandálias em vez de saltos altos.
Mona Verde, Avenida da Liberdade
A nossa última palavra de quem é de dentro. Escondido atrás de uma entrada discreta, ao estilo speakeasy, na Rua Castilho, um elevador leva-te oito andares acima até um terraço tropical com uma vista ampla e privilegiada sobre o rio. A cozinha e a carta de cocktails namoram com a América Latina e, na noite certa, há música ao vivo, bandas cubanas, funk, um DJ à medida que as luzes da cidade se acendem. Muito poucos visitantes o descobrem, e é precisamente por isso que o adoramos.
O que vestir num rooftop de Lisboa
A hora dourada de Lisboa é generosa com quem se veste à altura. A nossa fórmula é simples: camadas leves que acompanham a brisa vinda do Tejo, um slip dress ou um kaftan solto por cima do fato de banho do dia, se vieres diretamente de uma tarde à beira-água, e sandálias rasas para a subida, porque nesta cidade há sempre uma subida. Depois, joias que respondem à luz. As peças em tons dourados foram feitas para esta hora; uma pulseira escultural ou uns brincos marcantes captam o sol baixo tal como o rio o faz, e de repente o mais simples vestido de linho torna-se um look de noite. Leva uma malha fina para depois do pôr do sol. O Atlântico manda sempre um lembrete.
FAQ
Qual é a melhor hora para chegar para o pôr do sol?
É preciso reservar?
Há código de vestuário?
Que bairro tem os melhores rooftops?
"IN LISBON, THE ROOFTOP IS THE TRUE LIVING ROOM. THE CITY ONLY CONFESSES ITSELF FROM ABOVE, IN THE LONG GOLDEN HOUR BEFORE THE TEJO TURNS TO GOLD."
— The SG Edit
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