ESTAR BEM VESTIDA NÃO É TER PRESENÇA: EIS A DIFERENÇA
THE PRESENCEToda a gente sabe vestir-se. Poucas mulheres têm presença. A distância entre as duas coisas é mais curta do que parece, e não se compra.
Já entraste numa sala e soubeste, sem pensar, quem era a mulher a olhar. Não era necessariamente a mais bem vestida. Era a que parecia estar inteiramente onde estava. A presença não é uma questão de roupa. É uma questão de relação com a roupa.
Estar vestida é responder a uma ocasião. Ter presença é responder a si própria. A mulher que se veste para o evento está sempre um passo atrás, a perguntar-se se acertou. A mulher que se veste para si já não faz a pergunta. Escolheu antes de sair de casa quem ia ser, e a roupa limita-se a confirmar. É uma diferença silenciosa e nota-se toda.

A confiança constrói-se na repetição. Ninguém tem presença por acaso. Constrói-se escolha a escolha, até que o guarda-roupa deixa de ser um problema a resolver todas as manhãs e passa a ser uma extensão de quem se é. É por isso que as mulheres com mais estilo parecem quase sempre repetir-se. Não é falta de imaginação. É a segurança de quem já sabe do que gosta.


O ritual de se vestir. Há um gesto, ao vestir um fato de banho preto de linhas limpas ou ao fechar o colar contra a nuca, que não tem nada de vaidade e tudo de intenção. É o momento em que se decide entrar no dia de determinada maneira. Transformar essa ação diária num pequeno ritual é, talvez, a forma mais simples de começar a ter presença: prestar atenção.
Menos, mas sentido mais. A presença raramente vem do muito. Vem do certo. Uma peça escolhida com cuidado, usada com convicção, diz mais do que dez escolhidas à pressa. É esta a filosofia por trás de cada peça da Sofia Godinho, e é também, no fundo, uma filosofia de vida: escolher menos, para sentir mais.

Ter presença não é ser vista. É estar presente. E isso, ao contrário de quase tudo o resto, não se veste. Reconhece-se.Sofia Godinho
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