THE PRESENCE
Esta coleção foi feita para o teu momento.
Há coleções que começo com um esboço. Outras começam com um sentimento. Esta começou contigo. Não contigo em específico. Com um momento que sei que conheces. Aquele que é inteiramente teu, entre as responsabilidades, as decisões, os cem papéis que desempenhas todos os dias com amor, mas também com um peso que nem sempre se vê. Aquele instante breve em que não és nada de ninguém. És apenas tu.
Desenhei esta coleção para esse momento. Acho que sabes exatamente do que falo.
A Riviera Francesa sempre soube encontrar essa mulher. Não a que vai lá para ser vista, embora muitas vão. A que chega e, sem sequer tentar, abranda. Que pede um citron pressé numa mesa de café em Nice e espera mesmo por ele, telemóvel virado para baixo, olhos levantados. Que acorda cedo em Saint-Tropez e percorre o porto antes de os iates chegarem e de o dia encher, quando os pescadores ainda lá estão, a luz ainda é dourada e o lugar ainda parece pertencer às pessoas que o habitam.
Era nessa Côte d'Azur que eu pensava quando esta coleção ganhou forma. Não a das manchetes. A que está por baixo. As esplanadas. As tardes sem destino. Aquela qualidade muito específica de leveza que o sul de França nos dá quando o deixamos.
Esta coleção começou pelas próprias peças. E nelas vi de imediato uma direção que reconheci: o castanho quente das fachadas de Nice cozidas pelo sol, ruas que cheiram a alfazema e a sal. O verde suave das buganvílias a transbordar das varandas antigas. O roxo profundo de um pôr do sol na Riviera. O azul tranquilo do Mediterrâneo antes de o mundo acordar.
Não foram cores que escolhi a uma secretária. Foram cores que encontrei já lá, nas peças, na forma como o sul de França as veste, sem esforço, sem anunciar.
A partir daí, a pergunta que não me largava era: quem é que ela precisa de ser, neste momento? O que é que ela, ainda que por instantes, se permitiu pousar? O nome veio no fim. Depois de eu perceber o estado de espírito.

Para a produção fotográfica, quis que tudo parecesse um lugar onde ela já estava há algum tempo. Um rádio vintage na mesa. Uma câmara analógica ao alcance. Um livro de bolso deixado aberto, a meio de um pensamento. Objetos de um tempo mais lento, que pertencem a uma mulher que sabe a diferença entre ter tempo e tomá-lo.
Fotografámos com duas mulheres. Porque este momento não é igual para todas, nem devia ser. Uma encontra-o na quietude. A outra no movimento. Ambas completamente presentes. Ambas completamente elas.
À La Riviera não é um convite para ir a algum lado. É um lembrete de que a tua fuga sempre esteve disponível. Na peça certa. Na decisão de a vestir. No momento, por mais curto que seja, em que tudo o resto pode esperar.
Mereces esse momento. Mais vezes do que aquelas que te dás.
Com amor,
Sofia


A planear um verão na Riviera? Reunimos o código de vestir desta costa num só guia: o que vestir na Riviera Francesa.
"À La Riviera is not an invitation to go somewhere. It is a reminder that your escape has always been available."
— Sofia Godinho
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